Entrevista para revista Imobiliare

Brasil 10+ Arquitetos
6 de outubro de 2017

Luiz Lanza

“A Arquitetura representa a grande motivação da minha vida, o instrumento através do qual eu consigo me expressar, e com o qual eu tenho a oportunidade de criar algo de significativo para as pessoas”. Esta frase, dita pelo arquiteto Luiz Lanza, demonstra a sua adoração pela Arquitetura que, segundo ele, despertou seu interesse “logo no berçário”.

Formado em 1966, pela Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais – EAUFMG, Luiz Lanza iniciou sua carreira já em 1968, como professor assistente da EAUFMG. Esbanjando experiência, o arquiteto é dono de um extenso currículo profissional: professor de Planejamento Arquitetônico – módulos 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7; Metodologia do Projeto Arquitetônico; Composições Tridimensionais; Coordenação Modular e Desenho de Apresentação. Em 1969, abriu seu próprio escritório e seguiu criando projetos comerciais e residenciais em Belo Horizonte.

Nesta entrevista, o arquiteto conta um pouco sobre sua trajetória e revela porque abandonou o magistério.
 

Por que você deixou de ser professor, depois de tanto tempo?

Depois de lecionar por 27 anos na EAUFMG e por 5 anos no Departamento de Arquitetura e Urbanismo da PUC, achei que era hora de ceder meu lugar para os mais jovens. Também, por outro lado, as solicitações para a elaboração de projetos no meu escritório estavam aumentando cada vez mais, e eu estava ficando muito sobrecarregado. Então decidi me dedicar apenas aos projetos.

Quais foram seus primeiros projetos?

No princípio, elaborei alguns projetos comerciais. Foram concessionárias de veículos, indústrias, sede de empresas, como a da Líder Taxi Aéreo, na Pampulha, por exemplo, e muitos outros. Tudo isso juntamente com projetos residenciais.

Qual a diferença principal entre projeto comercial e residencial?
 
O projeto comercial é elaborado para um cliente hipotético, correspondente a um determinado “padrão”, digamos assim, o que o torna mais impessoal. Já uma residência permite, ou melhor, exige, uma aproximação muito grande com o cliente. Eu acho que é fundamental haver uma empatia com o cliente, para que eu possa compreender com profundidade suas necessidades e seus anseios e, assim, colocá-las no projeto. Isto é importante porque, ao traduzí-las em espaços e formas, tenho a oportunidade de transformar cada projeto em um trabalho diferenciado, deixá-lo “com a cara do dono”! Isto explica o fato de os meus projetos serem tão diferentes um do outro.

Você se inspirou, ou se inspira, em algum arquiteto ou em uma obra específica para fazer os seus  próprios projetos?
 
A inspiração que busco em outros arquitetos diz muito mais respeito à postura conceitual que eles adotam ao criar do que aos projetos em si. Arquitetos como Santiago Calatrava, Frank Ghery, Peter Eisenman, Renzo Piano, Zaha Hadid, me encantam pelo fato de que conseguem criar espaços e formas absolutamente inusitadas, através de conceitos que muitas vezes nem remetem à Arquitetura.

Como você vê a Arquitetura  hoje? 

Com toda a tecnologia disponível, inclusive a digital, acho que a Arquitetura nunca foi tão criativa como agora e creio que continuará a ser cada vez mais. Basta observar os vários aspectos através dos quais ela vem se manifestando. Já existem arquitetos especialistas em arquiteturas virtuais, como o Asymptote, por exemplo, encarregado de projetar o primeiro Guggenhein virtual, o que terá um impacto muito grande no comportamento das pessoas e na sua noção de espaço. As possibilidades são tão grandes que fica difícil imaginar o que ainda virá.

Destaque alguns de seus principais projetos.
 
Entre os projetos comerciais, citaria o Edifício-Sede da Líder Taxi Aéreo, na Pampulha, e o Teatro Alterosa. Entre os residenciais, destacaria os trabalhos feitos para José Eduardo e Junia Lanna Vale, em Vila Castela, Nova Lima; para Ignez e Paulo Ramalho, na Pampulha; para José Afonso Assumpção, também na Pampulha, e para Alberto Alkmim, no Morro do Chapéu, em Nova Lima.

Há algum projeto em andamento?
 
Atualmente trabalho em duas residências em Brasília e algumas em Belo Horizonte, Nova Lima, Sete Lagoas e Coromandel.

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